|
Considera-se
que há um melhoramento genético quando o produto nascido
é superior à média dos pais, pressupondo que ambos
os pais são de boa qualidade. Entretanto, os casos mais comuns
de melhoramento genético na raça pampa, devido à
pouca oferta de exemplares superiores, são aqueles em que éguas
de baixo valor zootécnico, quando servidas por bons reprodutores,
geram produtos de qualidade morfológica e/ou funcional superior
a delas.
Uma ferramenta importante em prol do melhoramento genético do
cavalo Pampa brasileiro de sela é a heterose ou "vigor do
híbrido". Este é um fenômeno que ocorre a partir
do cruzamento entre raças distintas. Como são várias
as raças utilizadas na formação da raça
Pampa, todo selecionador que se preze deveria tirar proveito deste fenômeno,
que se traduz pela união de genes desejáveis, de maneira
a combinar as qualidades presentes em cada um dos genitores. A heterose
poderá ser ainda mais benéfica se os animais descendem
de linhagens apuradas. Um exemplo clássico seria a união
de um garanhão Campolina de origem no tradicional criatório
sufixo "Lagoa Negra", com éguas da raça Mangalarga
Marchador de origem em alguma das linhagens pilares ou criatórios
antigos.
Ao contrário da heterose, a prática da consanguinidade
pode levar à deterioração do plantel, desde que
mal utilizada. O fato é que a consanguinidade é mesmo
uma "faca de dois gumes", tanto pode realçar os atributos
como os defeitos. É uma ferramenta do melhoramento genético
a ser utilizada em um estágio mais avançada da seleção,
sempre entre exemplares superiores, também descendentes de outros
exemplares superiores, pelo menos até a terceira geração.
Somente assim, os genes indesejáveis estarão mais fortemente
encobertos. Para evitar a consanguinidade na jovem raça Pampa,
será necessário que o Livro de Registro Genealógico
ainda permaneça em aberto por um bom tempo, no mínimo
dois anos, até porque ainda existe um grande numero de machos
e fêmeas de elevado padrão de qualidade, espalhados por
este Brasil continental, nas mãos de pessoas que certamente ainda
desconhecem a própria existência da ABC PAMPA. Um outro
alerta com relação aos riscos da consanguinidade é
que são poucos os sementais utilizados para a formação
da raça Pampa, mesmo contando o total de descendentes de todas
origens étnicas. Por exemplo, na Mangalarga Marchador, basicamente
todos os exemplares de pelagens pampas descendem do Sincero JB, Passa
Tempo e, mais recentemente, do Balote A . C. Na raça Campolina,
praticamente todos os exemplares portadores da pelagem pampa descendem
da linhagem "Lagoa Negra". Já na raça Mangalarga,
há uma contribuição maior, mas a maioria dos animais
não são de pelagem pampa padrão, mas sim das variedades
chita e rosada.
Por linhagem entende-se uma grande família portadora de traços
em comum, sejam na morfologia ou na funcionalidade. Com frequência,
dentro de uma mesma linhagem, existem sub-famílias. Alguns exemplos
podem ser lembrados. Na linhagem "Tabatinga", raça
Mangalarga Marchador, a família do "Cossaco" e a família
do "Predileto", cada uma com características próprias.
Na linhagem "Passa Tempo", raça Campolina, a família
do "Expoente" e a família do "Xerife". Estas
sub-famílias são constituídas na ânsia do
selecionador evitar, prolongar a necessidade ou amenizar a consanguinidade.
A seleção da raça Pampa foi muito facilitada pela
abertura das várias classes de julgamento, com base nas modalidades
de andamentos. Dessa forma, o descarte por andamento tornou-se menos
importante. Todavia, caso o criador seja um selecionador na essência
do significado zootécnico da palavra, seu objetivo será
formar uma linhagem própria, a ser conhecida por determinada
(s) característica (s), morfológica ou funcional. Neste
ultimo caso, passaria a ser fundamental a escolha de uma modalidade
de andamento a ser almejada. Em várias raças, existem
linhagens que se notabilizaram pela qualidade da marcha ou de outro
atributo funcional.
Quanto à morfologia, um criador tem várias alternativas
para fixar sua linhagem. Pode optar por uma tropa padronizada no conjunto
de frente bem lapidado (ex. como a tradicional linhagem sufixo "Passa
Tempo"); uma tropa de grande porte, estrutura e aprumos (ex.: como
a linhagem que assina o sufixo "Abaíba", também
na raça Mangalarga marchador); um plantel forte em andamento,
para em uma outra etapa melhorar a morfologia; um plantel padronizado
na pelagem pampa de preta, dentre outras alternativas. Contudo, todo
criador da raça Pampa não pode ignorar uma realidade,
a de que o futuro cavalo pampa brasileiro de sela, de qualidade superior,
será um autêntico tri-cross, resultante de três raças
principais - Mangalarga Marchador, Mangalarga Paulista e Campolina.
Cabe a cada selecionador, demonstrar a sabedoria em buscar o que há
de melhor em cada pampa (chita ou rosada) terá uma variação
de 0 a 50%.. Mas do acasalamento entre dois exemplares recessivos, a
prole terá a mesma variedade de pelagem pampa na proporção
máxima de 100%.
|