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Na maioria das raças equinas os andamentos naturais são o passo,
trote e galope. A partir de mutações sofridas pelos cavalos Bérbere nos
desertos do norte da Africa, surgiu a Andadura, um andamento recessivo,
no qual os bipedes laterais deslocam-se em um sincronismo perfeito. É um
andamento indesejável em praticamente todas as raças equinas. Os cavalos
Bérbere foram a base genética de formação de todas as raças brasilerias,
visto que representantes desta raça foram inicialmente introduzidos no
Brasil pelos colonizadores portugueses. Posteriormente, foram
introduzidos representantes da raça Andaluz.. Os acasalamentos sucessivos entre indivíduos de andadura e trotadores, resultaram em
várias modalidades de andamentos com deslocamentos assimétricos, intercalandos apoios bipedais laterais, bipedais diagonais e tripedais.
Esta movimentação peculiar foi definida como "Paso" na literatura espanhol e como "Marcha", na literatura brasileira.
Como o cavalo Pampa Brasileiro de sela descende de raças de trote e de
marcha, além do passo, trote e galope, também são aceitas todas as modalidades de marcha - picada, intermediária, batida e trotada.
MARCHA PICADA
Ocorre quando evidencia-se um maior tempo de deslocamento (elevação,
avanço e apoio) dos bípedes laterais. Na sequência de apoios, o casco do
membro anterior toca o solo imediatamente após o apoio do casco do membro posterior. Quanto maior for a lateralidade, mais próxima a
marcha picada estará da andadura, que é um andamento indesejável, de
sincronismo perfeito no deslocamento dos bípedes laterais, provocando
sobre o assento do cavaleiro (ou amazonas) diversos tipos de abalos, ou
atritos: verticais, laterais e longitudinais. Ao contrário, quando maior
for a dissociação no deslocamento dos bípedes laterais, mais próxima a
marcha picada estará da marcha intermediária, e menores serão os abalos,
ou atritos, sentidos pelo cavaleiro (ou amazonas), resguardando-se as condições favoráveis de aprumos, adestramento e equitação.
A marcha picada apresenta um estilo característico. O tempo de elevação
dos membros anteriores tende a ser maior em relação às marchas do tipo
"batida" e "intermediária", resultando no ato de repicar com os membros
anteriores. Nota-se uma maior flexão das articulações de joelhos e boletos. O desenvolvimento da marcha será naturalmente menor, devido ao
menor tempo de avanço dos membros anteriores.
É uma marcha de 4 tempos, com as batidas dos cascos nitidamente espaçadas. Entretanto, quando evidencia-se um aumento da lateralidade,
na audição as batidas dos cascos aproximam-se duas a duas, indicando a
proximidade da andadura.
É uma marcha predominantemente lateralizada, natural, executada em quatro tempos, com reações extremamente suaves para o cavaleiro,
sendo caracterizada pelo apoio, elevação e avanço dos membros laterais
nitidamente descompassados, intercalados ora por um apoio diagonal ora
por um apoio tripedal, provocando sobre terreno plano e sólido 1,2,3,4
batidas em cada passada completa. Quando estas batidas são nitidamente
espaçadas, a marcha picada é de boa qualidade em termos de diagrama.
Quando estas batidas aproximam-se duas a duas, é sinal de que a marcha
picada está mais próxima da andadura, com excessos de lateralização.
O casco posterior toca o solo frações de segundo antes do apoio do casco
anterior do mesmo lado. Este descompasso resulta nos apoios diagonais e
tripedais, ao invés dos apoios quadrupedais da andadura, ou o momento de
suspensão observado no trote. A desvantagem da marcha picada é que quando muito lateralizada exerce um certo desconforto sobre o cavaleiro,
através de atritos laterais. E sobre o cavalo, provoca desequilíbrios no
centro de gravidade, favorecendo as irregularidades e prejudicando
quesitos como o rendimento e o estilo. A facilidade para iniciar o galope também é prejudicada. Exceções à
regra existem, nos casos de animais bem aprumados, bem musculados e de muito brio, com nítida
disposição para o trabalho, favorecendo as r3spostas rápidas aos comandos da equitação.
MARCHA INTERMEDIÁRIA
Ocorre quando evidencia-se uma nítida dissociação no deslocamento (elevação, avanço e apoio) dos bípedes diagonais e laterais,
dificultando a identificação de um bípede dominante. Os tríplice apoios
são evidentes, de frequência regular e boa definição. A denominação
"marcha intermediária" é justificada pelo fato do andamento estar situado em um ponto central, entre a marcha picada e a marcha batida,
mantendo uma equidistância da andadura e do trote. As batidas dos cascos
sobre o solo são perfeitamente espaçadas (taca, taca, taca, taca, taca,
taca, taca.)
Com relação ao estilo, uma marcha intermediária raramente será rasteira
ou com pouca flexão das articulações de joelhos, jarretes e boletos.
Nota-se uma nítida soltura, facilidade de movimentos, especialmente das
espáduas, braços, antebraços e articulações de membros anteriores. Uma
assimetria discreta ( sem prejuízos para o equilíbrio dinâmico, a eficiência e a elegância da movimentação), do tipo "remar dos
anteriores", pode ser considerada normal nesta modalidade de marcha. Já
a elevação excessiva dos anteriores já é uma característica dinâmica
mais relacionada à marcha picada, ou à marcha trotada.
A marcha intermediária é uma marcha de 4 tempos. Em termos de mecanismo
de apoios (8 em cada ciclo), nada mais é do que o passo em velocidade
rápida. A sequência e tipos de apoios são idênticos - 4 tríplices, dois
bipedais diagonais e dois bipedais laterais. Cada tríplice apoio é intercalado, ora por um apoio bipedal diagonal ora por um apoio bipedal
lateral. Esta é a sequência de uma marcha completa em termos de apoios
desejáveis, o que também ocorre nas boas marchas do tipo "picada" e "batida". Os apoios indesejáveis são os monopedais e os quadrupedais (à
exceção da marcha trotada).
MARCHA BATIDA
Ocorre quando evidencia-se um maior tempo de deslocamento (elevação,
avanço e apoio) dos bípedes diagonais. Na sequência de apoios, o casco
do membro posterior toca o solo imediatamente após o apoio do casco do
membro anterior. Quanto maior for a diagonalidade, mais próxima a marcha batida estará do trote, que é um andamento indesejável, de
sincronismo perfeito no deslocamento dos bípedes diagonais, provocando
sobre o assento do cavaleiro (ou amazonas) fortes atritos: verticais. Ao
contrário, quanto maior for a dissociação no deslocamento dos bípedes
diagonais, mais próxima a marcha batida estará da marcha intermediária,
e menores serão os atritos verticais, resguardando-se as condições
favoráveis de aprumos, adestramento e equitação.
É um andamento de 4 tempos, com as batidas dos cascos aproximando-se duas a duas na audição. Comparativamente à marcha picada,
devido ao maior tempo de equilíbrio de sustentação sobre apoios bipedais
diagonais, que ocorre na marcha batida, a regularidade e a impulsão são
favorecidas e, consequentemente, o desenvolvimento da marcha.
É um andamento predominantemente diagonalizado, natural, também executado em quatro tempos, com reações suaves para o cavaleiro (porém,
menos em relação à marcha picada), sendo caracterizada pelo apoio, elevação e avanço dos membros diagonais nitidamente dissociados,
intercalados ora por um apoio lateral, ora por um apoio tripedal. A seqüência de apoios é a mesma daquela verificada para o passo. As
batidas sucedem-se em número de quatro em cada passada completa, com uma
tendência para se aproximarem duas a duas, particularmente naqueles indivíduos com excesso de diagonalização. Nestes casos, a marcha estará
mais próxima do trote, o que é indesejável, pela falta de comodidade
para o cavaleiro.
Na marcha batida, o casco anterior toca o solo frações de segundo antes
o contato do casco posterior diagonal. Este descompasso resulta em apoios laterais mínimos. Em uma boa marcha batida, cada membro inicia
seu deslocamento isoladamente e os tríplice apoios precisam ser bem definidos, preferencialmente de planta de cascos, e em número de quatro
em cada passada completa. Quando dois tríplice apoios são suprimidos,
geralmente aqueles de duas mãos e um pé, como já foi dito, isso ocorre
em decorrência de desvios no vôo dos cascos anteriores, ao invés de
deslocamentos mais retilíneos.
A desvantagem da marcha batida é que ela deriva do trote, que é um andamento geneticamente dominante, como todos os andamentos mais
diagonalizados do eqüino. Dessa forma, o criador precisa identificar os
limites aceitáveis da diagonalização. Tais limites estão intimamente
relacionados com a comodidade da marcha batida. Todavia, existem exceções à regra, quando atuam aspectos morfológicos conferindo
comodidade em andamentos muito diagonalizados.
MARCHA TROTADA
Ocorre quando evidencia-se um sincronismo perfeito no deslocamento dos
bípedes diagonais. Ao contrário do trote convencional, os tempos de suspensão, necessários para as trocas dos apoios bipedais diagonais, são
mínimos. Em muitos animais os tempos de suspensão são substituídos por
apoios quadrupedais ou monopedais. Nestes casos, apesar do andamento ainda ser executado em dois tempos, a simetria na mecânica de locomoção
será afetada.
A marcha trotada apresenta um estilo peculiar. Nota-se uma nítida elevação dos membros anteriores e posteriores, com grande flexão e
elasticidade. A sobre-pegada ou a ultra-pegada são de ocorrência
frequente. A movimentação é naturalmente enérgica, com evidente vigor,
favorecendo uma potente força de impulsão.
TROTE
Ocorre quando evidencia-se um sincronismo perfeito no deslocamento dos bípedes diagonais, com nítidos momentos de suspensão dos quatro
cascos, facilmente identificados a olho nu. Simultaneamente aos impactos
dos cascos sobre o solo, o cavaleiro (ou amazonas) sente um forte atrito
vertical. O trote é um andamento de dois tempos, perfeitamente simétrico
na mecânica de locomoção. No estilo, pode ser rasteiro (ex. trote do
Quarto de Milha), elevado ( ex. do Árabe), ou articulado (ex. do Andaluz). Dependendo da velocidade, pode ser executado nas variedades
reunido, médio ou alongado.
O trote é definido como um andamento de dois tempos, alternando deslocamentos sincronizados dos bípedes diagonais com momentos de
suspensão em cada passada completa, necessários à troca dos apoios diagonais. É o mais regular dos andamentos executados pelo eqüino, e
também o mais equilibrado e simétrico. A velocidade pode variar bastante, mas não o posicionamento de cabeça e pescoço e as atitudes
assumidas pelo animal durante o trote; ao contrário do que se observa ao
passo e ao galope. No trote, os membros posteriores trabalham com eficiência, os anteriores são naturalmente mais aliviados, e a cabeça
permanece bem elevada e estável.
O trote é um andamento absolutamente ritmado, facilitando a manutenção da cadência. Este ritmo é de inestimável valor para a
performance atlética, visto que o cavalo trabalha todos os seus membros
com um mesmo nível de esforço. Todo o flexionamento das articulações, a
expansão e contração muscular, são harmoniosamente desenvolvidos.
No trote, o cavaleiro recebe reações ásperas, pois o centro de gravidade oscila no sentido vertical, imediatamente após os apoios
diagonais associados. O comprimento da passada é de 1,50 a 1,60m,
aproximadamente.
A qualidade do trote pode ser avaliada com base na elasticidade e regularidade das passadas e da impulsão, mantendo a cadência. As
modalidades de trote são as seguintes: trote médio, trote alongado, trote reunido, trote de trabalho.
PASSO
O passo é, essencialmente, um andamento calmo, relaxado, suave, lento, simétrico e basculante, exigindo muito pouco do eqüino, em termos
de energia muscular e tensão nervosa. É um andamento executado em quatro
tempos, no qual cada um dos membros desloca-se separadamente, resultando
em uma seqüência de 8 apoios. Na audição, percebemos quatro batidas
nitidamente espaçadas. O cavalo jamais tem menos do que dois membros em
fase de apoio simultâneo. Logo, não há momentos de suspensão. Quando as
batidas dos cascos não são executadas compassadamente, em intervalos
regulares de tempos, o passo torna-se desunido. O passo é um andamento
que deve ser freqüentemente utilizado pelo cavaleiro (ou amazonas),
visando proporcionar períodos de descanso e relaxamento muscular para a
montaria, servindo também como forma de recompensa após a execução
correta de uma lição.
Durante o passo, o peso do cavalo é alternadamente deslocado de um membro a outro. A cabeça acompanha estes deslocamentos, sendo erguida
e baixada, aumentando ou reduzindo o comprimento do pescoço e auxiliando
o cavalo na manutenção de seu equilíbrio. Analogamente, balançamos
nossos braços quando caminhamos ou corremos, na busca do equilíbrio de
nosso corpo, para que permaneça retilíneo. Assim, a cabeça do cavalo
baixa a cada contato de um casco anterior, e a anca baixa a cada contado
de um casco posterior. Através deste ritmo, o centro de gravidade da massa corpórea do cavalo é balanceado, compensando o maior peso que
incide sobre membros anteriores, devido à cabeça e pescoço.
Ao passo, as reações sentidas pelo cavaleiro são suaves, em virtude da baixa velocidade dos deslocamentos, e porque o centro de
gravidade da massa corpórea desloca-se muito pouco, particularmente no
sentido vertical. O deslocamento é, basicamente, no sentido longitudinal. Como regra geral, o comprimento da passada é equivalente
ao comprimento do corpo do cavalo, resultando em uma velocidade média de
5 a 6 km Existem quatro modalidades de passo, a saber: passo livre, passo alongado, passo médio, passo reunido.
GALOPE
O galope é um andamento executado em três ou quatro tempos desiguais. A primeira variação é mais comumente executada pelo cavalo.
Quando em quatro tempos, o galope é mais cansativo para o animal, sendo
de extrema velocidade, como resultado de uma dissociação do bípede diagonal que estava associado no seu apoio. As fases do galope em três
tempos são seis, como mostra a figura 4. O cavalo pode galopar na mão
direita ou na esquerda. No primeiro caso, o ultimo membro a tocar o solo
antes do período de suspensão é o anterior esquerdo.
O galope é um andamento assimétrico, muito basculado, porém com certa suavidade para o cavaleiro/amazonas, porque os cascos tocam o solo
com uma certa inclinação, amenizando os choques. No galope, as passadas
são as mais longas, com uma média de 3,70m.
No galope convencional, de três tempos, mais lento, o cavalo mantém cabeça mais erguida, pescoço mais flexionado e o peso é lançado
mais sobre os membros posteriores. A agilidade na troca de direção é
mais facilitada. Tanto membros posteriores quanto membros anteriores exercem maior força de impulsão, em relação aos demais andamentos. As
modalidades de galope são o galope médio, galope reunido, galope de
trabalho, galope alongado, galope de corrida.
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